José Carlos DeottiDue Diligence de Terceiros: Como Proteger Sua Empresa de Parceiros de Risco
Parceiros, fornecedores e distribuidores podem comprometer a integridade da sua empresa. Veja como estruturar um processo de due diligence eficiente e quais os red flags mais comuns.
O problema dos terceiros no compliance
Já ouviu a expressão "diga-me com quem andas e te direi quem és"? No universo do compliance corporativo, essa máxima tem consequências jurídicas muito concretas.
A Lei Anticorrupção Brasileira (Lei nº 12.846/2013) estabelece responsabilização objetiva das pessoas jurídicas por atos ilícitos praticados em seu nome ou benefício: ainda que praticados por terceiros, como representantes, agentes comerciais, distribuidores ou joint ventures.
Isso significa que, se um parceiro seu pagar propina para obter uma licitação que beneficia indiretamente a sua empresa, você pode ser responsabilizado.
O que é Due Diligence de Terceiros
Due diligence de terceiros: também chamado de Third-Party Risk Management (TPRM): é o processo sistemático de investigação e avaliação de parceiros de negócios antes e durante o relacionamento comercial.
Não se trata apenas de verificar CNPJ ativo e certidões negativas. Um processo robusto avalia:
- Reputação pública e integridade: investigações, processos, notícias negativas
- Vínculos com agentes públicos: sócios, diretores ou familiares que ocupam cargos políticos
- Listas restritivas: OFAC, COAF, TCU, CGU, PEP (Pessoas Politicamente Expostas)
- Histórico de conformidade: certidões trabalhistas, fiscais e previdenciárias
- Capacidade técnica e financeira: empresa existe de fato e tem condições de cumprir o contrato?
Níveis de due diligence
Nem todos os parceiros exigem o mesmo nível de investigação. Uma boa prática é segmentar em 3 níveis conforme o risco:
Nível 1: Baixo risco (monitoramento básico)
Fornecedores de itens não críticos, sem contato com agentes públicos e baixo valor de contrato.
Verificações: CNPJ ativo, certidão de débitos, lista de empresas inidôneas (CEIS/CNEP).
Nível 2: Risco intermediário
Parceiros recorrentes, prestadores de serviços com acesso a dados ou instalações, contratos de médio valor.
Verificações: todas do Nível 1 + pesquisa de mídia, referências comerciais, análise do quadro societário.
Nível 3: Alto risco
Agentes comerciais e representantes que interagem com agentes públicos, parceiros em países com alto índice de corrupção, joint ventures, contratos de alto valor.
Verificações: todas dos Níveis 1 e 2 + investigação aprofundada (relatório de inteligência), entrevistas, análise de UBO (Ultimate Beneficial Owner), cláusulas contratuais de compliance obrigatórias.
Os 5 red flags mais comuns
Durante os processos de due diligence que realizamos, estes são os alertas que surgem com mais frequência:
- Empresa recém-constituída para contratos de alto valor, sem histórico operacional
- Sócios ocultos ou estrutura societária em cascata que dificulta identificar o beneficiário final
- Resistência injustificada a fornecer documentos ou responder questionários de compliance
- Preço significativamente abaixo do mercado sem justificativa técnica
- Indicação feita por agente público sem processo competitivo
A presença de um único red flag não é necessariamente determinante, mas exige investigação adicional antes de avançar no relacionamento.
Documentação e monitoramento contínuo
A due diligence não termina na contratação. Boas práticas incluem:
- Revisão periódica do cadastro de parceiros de alto risco (anual ou semestral)
- Alertas automáticos de monitoramento de mídia e listas restritivas
- Cláusulas de compliance em contratos com direito de auditoria e rescisão por descumprimento
- Programa de onboarding para parceiros de maior risco com treinamento sobre o Código de Conduta
Estruture seu programa de due diligence
A Compliance Brazil desenvolve processos customizados de due diligence de terceiros, incluindo políticas, formulários de diligência, ferramentas de triagem e treinamento para times de compras e comercial.
Entre em contato e veja como estruturar esse processo na sua empresa.

Escrito por
José Carlos DeottiFundador da Compliance Brazil
Atua há mais de 15 anos com Compliance, PLD/FT, Gestão de Riscos, Programas de Integridade, investigações internas e LGPD.
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